Ana Brocanelo

Você sabe o que é Birdnesting?

O Birdnesting concede às crianças maior estabilidade psicológica, emocional e logística, apesar da separação. Já para os pais, há uma maior flexibilidade na divisão de responsabilidades, gerando comportamentos mais cooperativos.

Há um novo modelo de convivência entre pais divorciados e seus filhos que está alterando a forma em que a guarda das crianças é encarada.

 

Seja sob as diretrizes da Guarda Compartilhada ou da Unilateral, a custódia dos filhos após o divórcio, na melhor das circunstâncias, é cercada de muitos ressentimentos, rusgas e mágoas entre os pais, e são as crianças que mais sofrem com a separação.

 

O Birdnesting (em português, ‘ninho de nascimento’) nasceu da necessidade de preservar a parte mais vulnerável de um processo de divórcio e de guarda: as crianças. Através desse modelo de convivência parental positivo, são os pais que se revezam na casa da família e os filhos permanecem no lar conjugal, fixos. Ou seja, ao invés de os filhos serem a parte móvel da relação familiar, indo e voltando da casa da mãe para a casa do pai, é o pai e a mãe que trocam de lugar de acordo com o acordo de custódia.

 

O Birdnesting concede às crianças maior estabilidade psicológica, emocional e logística, apesar da separação. Já para os pais, há uma maior flexibilidade na divisão de responsabilidades, gerando comportamentos mais cooperativos.

 

Essa modalidade de convivência pode não funcionar para a maioria dos casais divorciados, pois, requer um certo nível de proximidade, de discernimento, compreensão, empatia e de envolvimento mútuo na criação dos filhos. Porém, é uma alternativa bastante viável quando um dos cônjuges assume o papel de cuidador principal, enquanto o outro tem apenas períodos curtos de visitação. Talvez, um sistema mais justo.

 

Manter as necessidades dos filhos acima das dos pais é muito difícil, mas pode ser benéfica. Esse tipo de relacionamento parental fornece estabilidade e um caminho para que ambos os pais mantenham uma presença significativa na vida de seus filhos.

 

Na minha opinião, apesar de ser uma solução temporária (até que ocorram todos os ajustes e uma certa adaptação das crianças à nova realidade), podem existir várias maneiras de ‘trabalhar’ com o Birdnesting, mas a prática irá variar de caso para caso. Portanto, seguindo por esse caminho, é necessário descobrir o que funciona melhor para os filhos e para o casal.

 

 

Um abraço para todos.

Ana Brocanelo – Advogada.

OAB/SP:176.438

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